
Após ter perdido a eleição no Maranhão agora é tocar a vida pra frente, deve pensar o Sarney. Perdi os anéis, mas conservei os dedos, pensa o dono do mar. Será que o Sarney levou essa consideração a última conseqüência? Eventualmente sim, porém o passo a seguir foi calculado e está em andamento. Em algum momento, talvez pensou o Sarney, no Maranhão ninguém me bate. Entretanto, do ponto de vista dialético, não apareceu um aloprado, pior, apareceu um homem apaixonado cuja mulher risingou com a senadora e contribuiu com o desencadeamento de novo capítulo na história do Maranhão. Olha só!
Bom, acho que começa a se abrir um leque de possibilidades muito grande. Há uma possibilidade política que se bem aproveitada poderá desvelar novas nuances até 2010. No entanto, o futuro é uma construção do presente e as forças políticas que venceram a eleição tem que compreender isso.
A PDT foi o partido que teve um papel importantíssimo no processo da vitória, mas não se deve esquecer que a realidade é construída por um conjunto de fatores. Os fatores que possibilitaram a vitória é o cerne da questão. Esse de fator foi o construtor da vitória. Achar que ganhou a eleição sozinho e desprezar as forças políticas que o apoiaram é um erro imperdoável, pois é agora que os aliados são fundamentais e devem ser valorizado. O PT, PSB, PC doB e os setores mais progressistas tem que ser protagonistas na establidade do governo Jackson. Não vai ser fácil.
Definitivamente, o grupo Sarney não sai da cena política. Umas das explicações mais primárias é que agora ele encontrou um desafiante, não na figura do Jackson Lago, mas uma correlação de forças com pujança suficiente para lhe impor a derrota. No meu ponto de vista, o PC do B do Maranhão foi uma dessas forças materializada inclusive em sua expressão eleitoral. Nesse sentido, a eleição do Flávio Dino foi fundamental.
Não podemos deixar de considera que o bolsa família vem promovendo uma desestruturação nas relações de compadrio de caráter patrimonialista. Essa é uma das características de ordem sociológica do grupo Sarney, pois a máquina pública e o legado familiar interagiam de forma simbiótica. E agora sem o aparato do estado com eles vão se comportar? O principal artífice dessa resposta é o próprio Sarney.
Em Brasília, mais especificamente no congresso nacional, o PDT através de seus expoentes, já definem em seus discursos uma maior aproximação com o governo Lula. Ao mesmo tempo, há aproximações de articuladores do governo em contemplar Roseana com um ministério, isso agrada Sarney é claro. O grupo político do bigodudo tem nada menos que três senadores a que o estado tem direito, tem uma bancada ainda expressiva de deputados que o acompanham politicamente. Além do mais, não tenho os dados disponíveis aqui no momento, mas como fica a correlação de força na assembléia? É um dado importante para garantir governabilidade.
Observei que no resultado das urnas a nível municipal que ainda há muito voto sarneisista. Jackson ganhou em muito dos grandes municípios e Roseana na maioria dos pequenos, demonstrando que a vitória foi legítima, mas não foi expressiva e ainda há poder de reação do adversário, isso sim nos preocupa. Demonstra que ainda há muita força, muito poder de atração do grupo perdedor. Quem venceu não pode se vangloriar, a festa tem que ser feita, mas há muito por fazer tanto do ponto vista estrutural que se encontra o Maranhão com seus indicadores pífios quanto do ponto de vista político e de cultura política. Falou isso ao PDT, ao grupo do Jackson? O Hegemonismo, a falta de diálogo e respeito com as forças que o apoiaram pode ser fatal ao projeto emancipatório do Maranhão.
Em suma, agora é hora de trabalhar, trabalhar muito, pois Sarney não é cachorro morto, muito pelo contrário, ele está se movendo como nunca. Os passos que o Jackson vai dá daqui pra frente é que vai ser determinante. O PC do B, dentro do que for possível, deve ser a força consciente e conseqüente dentro desse processo. O Jackson vai precisar do PC do B no que tange as questões da bancada do Maranhão. No entanto, vou além, a construção do projeto político do partido no Maranhão passa pelo apoio estratégico ao governo Jackson, mas isso fazendo parte de um plano estratégico maior, que é o projeto político do PC do B no Maranhão. Agora é hora de avançar, de fazer as articulações certas, acumular força, disputar os espaços político, eleger vereador na capital, construir o projeto de ter deputado estadual, enfim, ser uma força respeitável no Maranhão. Com muito afinco e cuidando dos seus quadros e filiados essa possibilidade pode se materializar
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