quinta-feira, fevereiro 05, 2015

Os desafios políticos e econômicos do segundo mandato de Dilma Rousseff

Os recentes movimentos da oposição e, juntado a isso o ajuste do capitalismo internacional decorrente da crise cíclica do capital, remete a necessidade de compreender as nuances concretas dos fatos, sob pena de ser atropelado pelo turbilhão de uma direita ainda mais conservadora e inflada como representação parlamentar no congresso nacional, tendo o consórcio midiático oposicionista a seu favor. Este é o nível da batalha ora em curso.

Limites e possibilidades

Um cenário adverso à continuação do ciclo de desenvolvimento saiu das urnas. O governo Dilma, nesse início de mandato, se depara com os primeiros reflexos da eleição de uma composição congressual de caráter mais conservador e de visão atrasada de país.
O conservador Eduardo Cunha foi alçado à presidência da câmara federal. Trata-se da materialização da ameaça sem escaramuças as pautas sociais, bem como o trampolim de ataque a posições do governo ou, ainda, à produção de crises institucionais visando paralisar o Brasil. É uma engrenagem posta em funcionamento e que nos cabe reverter com setores progressistas da sociedade brasileira in toto.
A eleição do novo presidente da câmara põe em relevo o que há de mais atrasado na vida política brasileira, o que produzirá grandes dificuldades na urgência de aprovação de projetos necessários ao desenvolvimento do país. Medida como garantia de passagens a esposas de deputados e aprovação de orçamento impositivo em um momento de contenção de gastos públicos pode produzir atritos de concepção entre o executivo e a nova mesa diretora da câmara, presidida por Cunha.
A conjuntura internacional também é adversa. As exportações caem à medida que o cenário externo também se complica. Se mantém um câmbio flutuante que não favorece nossa economia, é um mantra da loucura. No campo das finanças públicas, o equilíbrio entre receita e despesas busca ser alcançado. O alavancamento da taxa Selic para 12,25% ao ano cria dificuldade para atividade produtiva e ao mesmo tempo é o referencial de rendimento para o capital rentista proprietário de títulos do governo. A conta disso tudo não deve recair sobre os trabalhadores. Essa história já é conhecida.
Em um recente pronunciamento da presidenta, a mesma justifica que seu governo utilizou a exaustão de recurso estatais para garantir o nível de emprego e os programas de distribuição de renda. Isso demonstra que a presidenta está ciente da problemática. O cenário macroeconômico impõe grandes desafios entre fazer ajustes e manter programas sociais e a manutenção do investimento em infraestrutura, em sentido lato.

A luta se trava na economia e na política

A taxa de investimento em relação ao PIB é muito baixa, gira em 17%. Este indicado precisaria ser multiplicado por dois, Para se ter uma ideia de sua importância, a taxa de investimento chinesa é em média 40% do PIB, o que demonstra que estamos patinando ainda nesse quesito. Há outras vozes que apontam no mesmo sentido. Em recente entrevista ao Jornal Valor Econômico (30/01/2015), o sociólogo Glauco Arbix, presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação (MCTI), aponta que é necessário dobrar os investimentos do setor público e privado na área de C, T & I (Ciência, Tecnologia e Inovação) como também na P & D (Pesquisa e Desenvolvimento) para provocar positivamente alterações no PIB. Portanto, fica evidente o ajuste fiscal que tem cortado recursos de pastas importantes no executivo deve se manter distante do MCTI. Trata-se de um ministério estratégico, e caso seja atingido, o prejuízo seria grande para projetos estratégicos em curso e naqueles que poderiam sair do papel. Isto traria imenso impacto na perspectiva de desenvolvimento do país.
As políticas educacionais em curso e as novas propostas de melhoria da qualidade da educação devem ser levadas a cabo. É necessário ter fluxo contínuo de recurso e prioridade política. O lema “pátria educadora” é muito oportuno, uma vez que a proposição que subsidia mobilidade social. O Ministério da Educação (MEC) dispõe de uma nova fonte de financiamento oriundo do petróleo e deve, com esses recursos alavancar o investimento nesse setor na ordem de 10% do PIB em educação como definido no Plano Nacional de Educação (PNE). A proposição de mudança no sistema de partilha pela oposição e a tentativa de colocar sob suspeição na opinião pública a capacidade da Petrobras de investir na exploração do pré-sal e entregar ao monopólio de emersas estrangeiras é uma ação antinacional e uma agressão ao povo brasileiro. . Isso afeta recursos já vinculado para a educação.
É nesse bojo que tem que vigorar o pensamento estratégico e a correta leitura conjuntural político-econômico. Deve-se a afastar qualquer medida que vise produzir um ajuste fiscal desmedido que coloque em xeque conquistas sociais e de renda. O apoio do povo é o último bastião de sustentação política. Ao implementar medidas que venha desacelerar depressivamente o crescimento econômico é uma aposta arriscada. Tem que haver uma carta na manga para fazer essa aposta. O custo social é altíssimo. É preciso virar o jogo.
A crise hídrica é outra componente desse processo que tenciona o governo. A falta de planejamento de governos tucanos em São Paulo e Minas colocam na insegurança de abastecimento d’água milhões de brasileiros. A empresa-empresa constrói um cenário em que a culpa de todas as intempéries da natureza e da histórica falta de planejamento de longo prazo recaem sobre os governos Lula e Dilma. É como se o país tivesse 12 anos ao invés de mais de 500. Não há crítica aos governos estaduais dirigidos pela oposição, estes são poupados.
A baixa nos reservatórios já afeta a geração de energia hidroelétrica. A construção das usinas de Belo Monte e Jirau foram muito combatidas pelos pseudoambientalistas e pelo consórcio midiático com direito a atores globais em campanhas contra a segurança energética do país. Atualmente, devido à baixa disponibilidade hídrica, as termoelétricas e as termonucleares funcionam a todo vapor, o que repercute no valor da energia. Isso pressiona os preços controlados e tem impacto na inflação.
Fica claro que temos que diversificar nossa matriz energética ao máximo, o que requer investimento e não poupança. Garantir recursos ao rentismo em detrimento do investimento em infraestrutura é um beco sem saída. A prioridade é o capital para investimento produtivo, este, sim, deve ser remunerado na proporção que contribui para o crescimento econômico e social.
As políticas de austeridade ao modo europeu devem ser rechaçadas a todo custo, não funcionou lá e nem vai funcionar aqui. Além do mais, esta produz desemprego e empobrecimento da população em favor das prioridades rentistas da banca internacional.
Há pressões internas e externas de caráter político. Trata-se de britzkrieg conservadora capitaneada pelo PIG e com que há de mais atrasado na política brasileira. Somado a isso, há interesses geopolíticos inconfessáveis que vem operando, vide o caso da espionagem da presidenta Dilma pela National Security Agency (NSA).
O ajuste na economia mundial é a franja mais aguçada da crise cíclica do capitalismo que vem se arrastando desde 2008, o que rebate na economia nacional. O próprio ministro das finanças da China admite que o arrefecimento da sua economia é parte do rearranjo da economia mundial. Não é demais lembrar que todos esses processos devem ser compreendidos pela ótica marxista de análise da realidade concreta.
A Operação Lava Jato, a partir de seu uso político pela oposição, pode produzir sérios danos a engenharia pesada do Brasil. Trata-se de empresas especializadas na construção de infraestrutura de grande magnitude. É como se inviabilizasse o funcionamento da Boing nos EUA, para citar um exemplo hipotético. No caso brasileiro, há uma tentativa clara de setores conservadores vassalos do imperialismo de inviabilizar a Petrobrás e todo conjunto de importantes empresas nacionais ligadas a ela direta e indiretamente. Esse é o grau da sordidez da disputa política. Isto não quer dizer abonar responsabilidades de executivos envolvidos em corrupção, mas as empresas por eles dirigidas compõe o patrimônio nacional. O vale tudo conservador é lesa-pátria.

Algumas indicações para a luta

O aprendizado que deve ser tirado rapidamente é que se deve melhorar a articulação política do governo no congresso nacional; dialogar com a sua base de sustentação social de maneira constante; garantir direitos dos trabalhadores, manter a distribuição de renda e evitar que a sanha do ajuste fiscal atinja setores sociais. É fundamental internalizar os ensinamentos da compreensão da realidade concreta e traduzi-la em política.
Diante do recrudescimento da ofensiva da direita golpista, é necessário uma reaglutinação de forças consequentes para fazer avançar as pautas sociais. Bandeiras como a regulação econômica da mídia e o financiamento público de campanha podem sucumbir à agenda conservadora se caso não haja pressão popular. O novo presidente da câmara dos deputados tem compromissos com o setor econômicos midiáticos que querem que nada mude, a não ser aquilo que lhes favoreça. A contraofensiva ao conservadorismo tem que ser com a ajuda do povo, com mobilização social.
Os tucanos et caterva mantém o discurso golpista de impedimento da presidenta, vide Ives Gandra. Os arautos do discurso privatista de venda do patrimônio nacional recolocam suas cabeças de fora, vide o comentário do ex-ministro da fazenda Mailson da Nóbrega que sugere a venda da Petrobrás. Ou ainda a declaração de Aloysio Nunes, que sugere modificar o modelo de partilha do petróleo. É necessário combater o discurso dessa gente e construir meios na sociedade para isso.
É de suma importância a rua, a sociedade mobilizada. Só assim é possível pressionar um congresso nacional à aprovação de pautas progressistas, sob pena de amargarmos retrocessos alcançados no novo ciclo de desenvolvimento iniciado pelo país a partir de 2003. O resultado da eleição da câmara dos deputados, em particular, condensa uma grande preocupação relativa a nível da luta que estar por vir.


Robson S. Camara Silva é Doutor em sociologia e mestre em educação pela Universidade de Brasilía-UnB, professor da Escola Nacional João Amazonas e militante do PC do B-DF

domingo, outubro 12, 2014

Coerência política


 Roberto Amaral é um dos que se somam a coerência política que deve ter um partido que se denomina socialista. O Partido Socialista Brasileiro (PSB) não deve sua reputação histórica a Eduardo Campos, sim, a João Mangabeira, Domingos Vellasco, Hermes Lima, Rubem Braga, Osório Borba, Joel Silveira, José Lins do Rego, Jader de Carvalho, Sergio Buarque de Hollanda e Antônio Cândido. 
O segundo capítulo da história desse partido foi sua refundação. A Comissão Nacional  criada para isso teve importantes nomes da vida política do país e da intelectualidade brasileira. Figurava  Antônio Houaiss como presidente e como membros: Marcello Cerqueira, Roberto Amaral, Evandro Lins e Silva, Jamil Haddad, Joel Silveira, Rubem Braga e Evaristo de Moraes Filho. Este último é autor de um importante livro intitulado “O problema do sindicato único no Brasil: seus fundamentos sociológicos.

Em março de 1990, o governador Miguel Arraes, foi convidado pela direção nacional, ingressar no PSB. Sua biografia política ilustra bem quem era este homem. Nascido em 1916 e morto em 2005, foi eleito pela primeira vez governador de Pernambuco pelo Partido Social Trabalhista (PST), em 1962, apoiado pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB) e setores do Partido Social Democrático (PSD), derrotando João Cleofas (UDN) - representante das oligarquias canavieiras de Pernambuco.
Na primeira eleição de Lula a presidência da república, o PSB compôs a Frente Brasil Popular (FBP) para disputar a eleição de 1989 encabeçada pelo sindicalista e então deputado federal Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na cabeça-de-chapa e o senador José Paulo Bisol (PSB) como candidato a vice-presidente. A coligação era composta por 3 partidos: Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e Partido Socialista Brasileiro (PSB).
É esta história que está sendo maculada por setores do PSB ao aderir, em nome de um suposto estandarte "in memoriam" de Campos, ao projeto neoliberal representado pela candidatura Aécio Neves. Tal apoio representa um equivoco histórico, pois não condiz com a trajetória do partido ao longo de sua existência e nem com o socialismo.
Os caminhos são tortuosos para consolidação de um projeto de nação, defecções ocorrerão. É necessário que as forças de esquerda e daqueles que se oponham ao retrocesso de cunho neoliberal se mantenham fortes.  Só a candidatura Dilma Rousseff pode dar impulso ao novo ciclo de desenvolvimento que tanto o povo brasileiro anseia.
Robson Camara é professor, Doutor em Sociologia e Mestre em Educação pela Universidade de Brasília.

sexta-feira, abril 25, 2014

Ucrânia e os esforços desesperados para salvar o dólar dos EUA

De acordo com o escritor e analista de pesquisa de mercado americano, Dr. Jim Willie, a atual crise da Ucrânia não é nada como a luta do Oriente e do Ocidente pela supremacia financeira. "Eu acho que Willie escreveu que estávamos em uma situação desesperadora. O governo dos EUA não podem permitir que a Ucrânia se tornasse um ponto de trânsito central através do qual pipelines alargariam a zona de comércio euro-asiático em expansão. Tentam por todos os meios impedir o desenvolvimento da zona de comércio euro-asiática porque os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, neste caso, iriam ficar para trás.
Se você cavar um pouco mais e tentar entender o que realmente está acontecendo, podemos perceber nos recentes eventos  três  ataques a Gazprom russa.
O primeiro ataque a esta grande empresa russa foi velado em eventos cipriotas. A maior subsidiária da "Gazprombank", localizado em Chipre. Além disso, a Rússia tem utilizado Chipre como uma câmara de compensação para comprar barras de ouro.
O segundo ataque a Gazprom ocorreu na Síria. Gasoduto iraniano teve de chegar aos portos sírios. E agora essa guerra. Isso é o que realmente faz os Estados Unidos. Este é o terceiro ataque contra a Gazprom russa. América e da Europa acreditam que, se eles controlam válvulas dos pipelines (gasodutos), eles podem controlar o fluxo, levando a Roménia, Polónia e Hungria.
Dr. Willey, que recebeu seu Ph.D. em estatística, acredita que ao criar artificialmente crise ucraniana - é um ato de desespero Estados Unidos. Ele explica: "Você já viu como um homem encurralado desesperado começa a fazer coisas malucas? Isso é o que estamos vendo agora.
Dr. Willie continua: "No que diz respeito ao papel dos Estados Unidos, é mais como uma tragicomédia. 
Ucrânia e os esforços desesperados para salvar o dólar dos EUA
Esses caras não têm escolha. Quando soube que o Secretário de Estado Kerry ameaça excluir a Rússia do Grupo dos Oito, eu disse que esta decisão não será sem consequências, e que, como resultado, é a América que será isolada. Eu fiz essa previsão há três anos.
Eu disse que o G-8 vai perder seu valor, que será substituído pelo G-20 e China estaria em oposição com os EUA e a Grã-Bretanha. No ano passado, isso acontece. Só conheci o G-20 na Austrália, e China afastou-se dos Estados Unidos. Eles acreditam que a América está vivendo fora da imprensa, e que não podem pagar esses custos. Sua economia é falsa. Esta situação é agravada no que foi discutido na reunião do G-20.
O verdadeiro problema para o Ocidente será a necessidade de pagar por petróleo e gás não em dólar. Dr. Willie adverte: "Muito em breve, pode acontecer que exigiria a Rússia a pagar por seu petróleo bruto e gás natural em rublos ou barras de ouro. Se eles exigem uma transição para pagamentos em rublos, ele imediatamente expor o absurdo da essência das ações e sabotagem de Wall Street e Londres que tentam punir a Rússia. América, com suas enormes dívidas não está em condições de controlar a situação.
Sobre o valor real do dólar dos EUA Dr. Wyllie disse: "A resposta à pressão dos Estados Unidos são os passos para eliminar progressivamente os petrodólares, forçando os sistemas bancários em todo o mundo correr para vender os desnecessários do Tesouro dos EUA.
 Será que vai acontecer na realidade?
 Dr. Willie responde a esta pergunta: "Você acha que Putin terá uma longa espera? Os intervalos de tempo entre os eventos principais são reduzidos. A questão é saber se é possível provocar Putin e a Rússia para garantir que desferiu o primeiro golpe. Se russo se atrevem a atacar com um poderoso ataque militar, os Estados Unidos atingiria até 20 vezes mais poderoso do que a Rússia e expulso da face da Terra. Isso é o que realmente procurar nazistas desesperados.      
Sobre ouro Dr. Wyllie disse: "Eu não acho que qualquer um ficaria chocado se o russo vai dizer que eles têm mais de 20 mil toneladas de ouro, e que eles vão voltar para o rublo e ouro. E cuspir no dólar. Eu acho que dentro do próximo ano ou assim, russo e chinês pode fazer isso, já que no total possuem 40 mil toneladas de ouro. Eles terão uma moeda real, e eles fazem, um reboot real global, retornando ao padrão-ouro e abandonando o dólar de seus títulos soberanos tóxicos  Dr. Willey prever para os próximos três anos, o dólar dos EUA perder 80 por cento do seu valor.


Obs.: Traduação eletrônica revisada e editada para melhor compreensão do texto em russo. Façam uma leitura crítica.
Fonte: http://mixednews.ru/archives/50418

Источник: 
http://politikus.ru/articles/17711-ukraina-i-otchayannye-usiliya-ssha-po-spaseniyu-dollara.html
Politikus.ru

quinta-feira, abril 17, 2014

Ucrânia e o grande tabuleiro de xadrez

 [*] Pepe EscobarAsia Times Online − The Roving Eye
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

O Departamento de Estado dos EUA, pela porta-voz Jennifer Psaki, disse que notícias de que o diretor da CIA John Brennan teria dito aos mudadores-de-regimes em Kiev que “conduzissem operações táticas” – ou alguma “ofensiva antiterrorista” – no leste da Ucrânia são “completamente falsas”. Significa que as notícias são verdadeiras. Brennan já transmitiu a ordem de marcha. No momento em que escrevo, a campanha “antiterroristas” – com seu simpático toquinho de retórica à Dábliu – já degenerou em farsa.

Agora, combinem essa notícia com o Secretário-Geral da OTAN, o cão-de-caçaRetriever holandês, Anders Fogh Rasmussen, a latir sobre o reforço militar ao longo da fronteira leste da OTAN: “Teremos mais aviões no ar, mais navios na água e mais prontidão em terra”.

Aí está. Bem-vindos à doutrina da guerra pós-moderna dos Dois Patetas.

Paguem ou morram congelados

Vitaly Klitschko
Para todos os propósitos práticos, a Ucrânia está falida. A consistente posição do Kremlin ao longo dos três últimos meses foi encorajar a União Europeia a encontrar solução para a terrível situação econômica da Ucrânia. Bruxelas fez coisa nenhuma; apostou tudo na “mudança de regime” que beneficiaria o fantoche-campeão-de-boxe & preferido da Alemanha, Vitaly Klitschko, também conhecido como “Klitsch, o boxer”.

A “mudança-de-regime” aconteceu, mas do tipo orquestrado pelo Khaganato dos Nulands – uma célula neoconservadora dentro do Departamento de Estado − e sua Secretária-Assistente de Estado para Assuntos Europeus e Asiáticos, Victoria Nuland. E agora a opção presidencial é entre – e como não seria? – dois fantoches dos EUA, o fantoche-bilionário-do-chocolate, Petro Poroshenko e a “ex-Primeira-Ministra da Ucrânia, ex-condenada e possível presidente, “Santa Yulia” Timoshenko. E a União Europeia ficou com a conta a pagar (impagável). É onde entra o Fundo Monetário Internacional, FMI – com um iminente, repugnante “ajuste estrutural” que mandará os ucranianos direto ao inferno, para buraco ainda mais infernal do que o que já conhecem e com o qual estão habituados.

Mais uma vez, contra toda a histeria propagada pelo “Ministério da Verdade” dos EUA e seus franqueados na imprensa-empresa ocidental, o Kremlin não precisa “invadir” Ucrânia alguma. Se a Gazprom não receber o que lhe é devido, os russos só terão de fechar a torneira do braço ucraniano do Gasodutosão. Kiev será forçada a usar pelo menos uma parte do gás destinado a alguns países da União Europeia, ou os próprios ucranianos ficarão sem combustível para manterem-se vivos – as pessoas e as indústrias. E a União Europeia – cuja “política de energia” é, sobretudo, uma piada – lá estará, enredada em mais uma dificuldade autoinfligida.

Principais gasodutos atualmente em operação na Ucrânia
A União Europeia continuará a caminhar a passos largos para situação perene de perde-perde, se Bruxelas não falar com Moscou, com seriedade. Só há uma explicação para por que já não está falando: pressão linha-dura-duríssima por Washington, montada mediante a OTAN.

Mais uma vez, como contragolpe, contra a atual histeria – a União Europeia ainda é cliente top da Gazprom, com 61% do total do gás exportado. É uma relação complexa, baseada na interdependência. A capitalização do Ramo Norte, do Ramo Azul e do ainda a ser completado Ramo Sul inclui companhias alemãs, holandesas, francesas e italianas.

Assim sendo, sim, a Gazprom precisa do mercado da União Europeia. Mas só até certo ponto, se se considera o meganegócio de entrega de gás siberiano à China, que será assinado muito provavelmente em maio, em Pequim, (vídeo a seguir, em inglês) quando o presidente da Rússia visitará o presidente Xi Jinping.


Jogando areia na engrenagem [1]

Mês passado, enquanto o torturante sub-show estava em andamento na Ucrânia, o presidente Xi andava pela Europa fechando negócios e promovendo outro braço da Nova Rota da Seda, direto até a Alemanha.

Em ambiente não Hobbesiano e não doente, uma Ucrânia neutra só teria a ganhar se se posicionasse como um entroncamento privilegiado entre a União Europeia e a proposta União Eurasiana – além de se converter em nó crucial de distribuição na ofensiva chinesa da Nova Rota da Seda. Em vez disso, os “mudadores-de-regime” do governo de Kiev estão apostando tudo na “associação” à União Europeia (que jamais acontecerá) e deixando-se converter em base avançada para a OTAN (que é o objetivo do Pentágono).

Se se pensa num mercado comum de Lisboa a Vladivostok – ao qual visam ambas, Moscou e Pequim – ele seria também magnífica solução para a União Europeia.

Nesse contexto de possibilidades, o desastre na Ucrânia é realmente um pau, uma trava metida na roda, um saco de areia jogado na engrenagem, uma cratera rasgada no meio da estrada. E areia na engrenagem, trava na roda, cratera cavada no meio da estrada que, crucialmente, só geram vantagem para um único ator: o governo dos EUA.

O governo Obama já pode – pode, talvez; ninguém garante – ter percebido que o governo dos EUA perdeu a batalha pelo controle do Oleogasodutostão da Ásia para a Europa, apesar de todos os esforços do regime de Dick Cheney. O que os especialistas em energia chamam de “Grade Asiática de Segurança Energética” está crescendo – como seus milhares de conexões para a Europa.

Assim, só restou ao governo de Obama jogar areia na engrenagem, meter uma trava, um calço, na roda desse processo – o que se vê ser feito agora – tentando ainda impedir a plena integração econômica da Eurásia.

Oleogasodutos projetados que integrarão completamente a Eurasia
(clique na imagem para aumentar)
Pode-se facilmente ver que o governo Obama está cada vez mais obcecadamente preocupado com a crescente dependência da União Europeia, que não vive sem o gás russo. Daí se inventou o plano grandioso de posicionar o gás de xisto norte-americano na União Europeia, como alternativa à Gazprom. Ainda que se assuma que possa acontecer, demorará pelo menos uma década – sem garantia de sucesso. Na verdade, a alternativa real seria o gás iraniano – depois de um acordo nuclear amplo e o fim das sanções ocidentais (esse pacote, o que não surpreende ninguém, está sendo sabotado em massa por diferentes facções ativas dentro do governo dos EUA).

Para começar, os EUA não podem exportar gás de xisto para países com os quais não tenha assinado algum acordo de livre comércio. É “problema” que poderia ser solucionado, em boa parte, pelo acordo chamado “Parceria Trans-Atlântica” [orig. Trans-Atlantic Partnership (TAP)] negociado secretamente entre Washington e Bruxelas (sobre isso, ver 16/4/2014, redecastorphoto, Pepe Escobar, “Pé na estrada pelo sul do OTANistão”Asia Times Online, traduzido [NTs]).

Em paralelo, o governo Obama continua a usar táticas de “dividir para governar”, com o objetivo de assustar atores menores, inventando o fantasma de uma China maléfica, militarista, tentando reforçar o “pivô para a Ásia” que só engatinha e não consegue pôr-se em pé. Todo o jogo volta sempre ao que o Dr. Zbig Brzezinski conceitualizou nos idos de 1997, em seu The Grand Chessboard– e cantou, até os mínimos detalhes, para seu discípulo Obama: os EUA no comando de toda a Eurásia.

Mas o Kremlin não se deixará arrastar para um sorvedouro militar. É justo dizer que Putin identificou o Grande Quadro no tabuleiro inteiro, o que significa ampliar a parceria estratégica Rússia-China, que é tão crucial quanto a sinergia energia-manufatura com a Europa; e, sobretudo, o medo avassalador que sentem as elites financeiras norte-americanas, do processo inevitável, em andamento, conduzido pelos BRICS (e que já se expande para o Grupo dos 20, G-20, grupo chave) – para deixar para trás o petrodólar.

Presidentes dos BRICS (esq. p/ dir) (Brasil, Índia, Rússia, China, África do Sul) 
Em resumo, tudo isso sugere que o petrodólar será progressivamente superado, ao mesmo tempo em que ascende uma cesta de moedas como moeda de reserva no sistema internacional. Os BRICS já trabalham na construção de sua alternativa ao FMI e ao Banco Mundial, investindo num pool de moedas de reserva e no Banco BRICS de desenvolvimento.

Enquanto o esforço tentativo de construir uma nova ordem mundial agita-se tentando nascer em todos os pontos do Sul Global, a OTAN-Robocop sonha com mais guerras.



Nota dos tradutores

[1] Orig. Spanner in the WorksA expressão pode ser traduzida, por aproximação, por “areia (jogada) na engrenagem”/”um pau metido na roda”. Resgatamos um pouco desse significado em “o desastre na Ucrânia é realmente um pau, uma trava metida numa engrenagem”, mesmo sabendo que nessa tradução perde-se um traço de “ação grotescamente ridícula”. A expressão dá nome também a uma equipe de comediantes ingleses que oferecem kits de comédias-eventos que se “misturam” a eventos reais, causando grande confusão (pressupõe-se que a confusão que eles criam divirtam os convidados). O modo como trabalham misturados a garçons de uma festa está bem descrito em: Comedy Waiters. Em Spanners in the Works há boa exposição de como trabalham, por exemplo, misturados aos seguranças que revistam convidados que chegam para um evento). Contatos. Aqui fica a anotação, para resgatar um pouco do traço de ‘'palhaçada'’ [no sentido pejorativo] da mesma expressão.
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[*] Pepe Escobar (1954) é jornalista, brasileiro, vive em São Paulo, Hong Kong e Paris, mas publica exclusivamente em inglês. Mantém coluna (The Roving Eye) no Asia Times Online; é também analista de política do blog Tom Dispatch e correspondente/ articulista das redes Russia Today, The Real News Network Televison e Al-Jazeera. Seus artigos podem ser lidos, traduzidos para o português pelo Coletivo de Tradutores da Vila Vudu e João Aroldo, no blog redecastorphoto.
Livros:
− Obama Does Globalistan, Nimble Books, 2009.

Fonte: http://redecastorphoto.blogspot.com.br/

sexta-feira, abril 04, 2014

Começou uma nova Guerra Fria. Que alívio!

The Saker


2/4/2014, The SakerThe Vineyard of the SakerA new Cold War has begun - let us embrace it with relief!Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu


Considerada a relativa calmaria que parece configurar-se na Ucrânia, o momento parece propício para examinar o impacto que os dramáticos desenvolvimentos naquele país tiveram sobre o cenário político interno da Rússia e o que esse impacto, por sua vez, pode significar para a (des)ordem internacional. Para isso,gostaria de começar por um breve resumo de uma tese que já mencionei antes.

Preparando a parte russa do palco

Primeiro, uma lista itemizada dos tópicos que já se discutiram nesse blog:  

1. Não há real oposição parlamentar na Rússia. Mas, não, não, não porque “Putin é um ditador”, nem porque “a Rússia não é uma democracia”, mas, sim, simplesmente, porque Putin manobrou brilhantemente ou para cooptar ou para cortar as garras de qualquer oposição. Como? Usou bem sua autoridade pessoal e carisma para promover uma agenda à qual os demais partidos não se poderiam opor abertamente. Formalmente, continuam a existir os partidos de oposição, é claro. Mas absolutamente não têm qualquer credibilidade. É situação que pode mudar, com a nova Lei dos Partidos Políticos.

2. A única oposição “dura” a Putin, na Rússia moderna, são os vários indivíduos abertamente pró-EUA (Nemtov, Novodvorskaia, etc.) e movimentos e partidos associados a eles. Representam (no máximo!) 5% da população.

3. Putin aplicou “movimento de judô” nos reais opositores (adiante, mais sobre isso), usando a “Constituição (fortemente) presidencial” aprovada em 1993, para, basicamente, concentrar todos os poderes na presidência.

4. A “oposição” *real* a Putin e ao seu projeto só existe *dentro* do Kremlin, no partido “Rússia Unida” e em algumas figuras influentes. Chamo essa oposição real de “Atlanticistas Integracionistas” (AI), porque o objetivo-chave deles é integrar a Rússia à estrutura mundial anglo-sionista de poder.

5. A base *real* de poder de Putin está no povo russo que o apoia diretamente e pessoalmente, na Frente de Todos os Povos Russos, e no grupo que chamo de “Eurasianos Soberanistas” (ES), cujo objetivo básico é desenvolver uma nova ordem mundial, multipolar, para livrar-se do atual sistema financeiro internacional anglo-sionista; reorientar a maior parte possível da antiga URSS na direção de integrar-se com o Ocidente; e desenvolver o norte da Rússia.

Se quisesse simplificar ainda mais as coisas, poderia dizer que em 1999 os Atlanticistas Integracionistas (AI) e os Eurasianos Soberanistas (ES) uniram-se para levar Putin ao poder, substituindo Ieltsin. Os AI (em termos genéricos, representam os interesses do big Money & big business) queriam burocrata mais cinzento e obscuro, como Putin (era o que eles supunham), que assegurasse o continuísmo e não sacudisse demais o bote depois da partida de Ieltsin. Os Eurasianos Soberanistas (em termos gerais, representantes dos interesses de certa elite da antiga KGB, especialmente seu Primeiro Diretorado-Comando) e o próprio Putin, usaram brilhantemente o poder dado a Putin pela Constituição de 1993 (aprovada no governo de Ieltsin e dos Atlanticistas Integracionistas!), para mudar, lenta mais firmemente, a rota da Rússia: de total submissão e colonização ao/pelos EUA, para um processo que Putin e seus apoiadores chamam de  “soberanização”, i.e., de libertação nacional.

O 1o. Ministro, Dmitry Medvedev e o Presidente Vladmir Putin nos jardins do Kremlin
A partir disso, seguiu-se longa disputa de queda-de-braço, sobretudo nos bastidores, mas com eclosões de tempos em tempos que se veem do lado de fora, como a trombada entre Putin e Medvedev no caso do Irã e da Líbia ou a demissão de Kudrin por Medvedev (os dois foram empurrados para uma mesma rota de colisão, por Putin, claro). Como derradeira super simplificação, posso dizer que Medvedev representa os Atlanticistas Integracionistas; e Putin, os Eurasianos Soberanistas.

Tudo aqui está muito supersimplificado, para não alongar demais o postado. Todos encontrarão informação um pouco mais detalhada em outros postados indicados nas notas, inclusive nos comentários dos leitores do blog.

Preparando a parte ucraniana do palco

Antes deste último inverno, a maior diferença entre Rússia e Ucrânia era que na Rússia, Putin basicamente destruíra a velha oligarquia que EUA e Israel controlavam, e a substituiu por outra, que ou apoiava o Kremlin ou mantinha-se neutra. A mensagem de Putin para a oligarquia russa foi simples: “podem ser ricos, mas não comprometam o bem-estar da nação russa nem tentem intrometer-se na luta política”. Para os que não entendam por que Putin não eliminou a oligarquia russa como grupo, tenho de repetir que TUDO que Putin fez desde 1999 até agora, sempre foi numa relação de acordos e concessões entre os seus Eurasianos Soberanistas e os ainda muito poderosos Atlanticistas Integracionistas. Putin de modo algum poderia desafiar diretamente esse grupo muito poderoso, muito rico, muito bem relacionado; então, teve de andar devagar e com cuidado, passo a passo.

Na Ucrânia, bem diferente disso, os oligarcas consumaram o que eu chamaria de “Sonho de Khodorkovsky”: compraram basicamente tudo, toda a economia, toda a imprensa-empresa de massa, todo o Parlamento e, claro, também a presidência. Ao longo dos últimos 22 anos, a Ucrânia viveu basicamente escravizada por vários oligarcas que fecharam negócio bem simples com o ocidente: vocês nos apoiam e nós apoiamos vocês.

Resultado disso, os líderes ocidentais e a imprensa-empresa “não perceberam” que todos os políticos ucranianos são corruptos até a medula, inclusive Yanukovich e Timoshenko; que – diferente da Rússia, e ao contrário do que diz a propaganda anglo-sionista – as desavenças políticas na Ucrânia foram muitas vezes decididas por assassinatos encomendados; que a plutocracia ucraniana estava, literalmente, saqueando toda a riqueza da Ucrânia (“toda”, aí, significa literalmente tudo). Até que a muitíssimo rica Ucrânia ficou miseravelmente pobre e sem recursos e riqueza para pilhar, e a crise tornou-se visível, e todos viram.

Além da pilhagem de recursos e riqueza, outra grande “realização” dos oligarcas ucranianos foi a total subordinação do estado e de seus instrumentos às necessidades dos oligarcas: Para eles, o próprio estado tornou-se instrumento de poder e influência. Por exemplo, o serviço de segurança ucraniano SBU (ex-KGB) passou todo o tempo e consumiu todos os seus recursos, envolvidos nas lutas de poder entre vários oligarcas e suas bases de poder. Resultado disso, SBU, em 22 anos, não capturou nenhum espião estrangeiro! Para piorar, o SBUfoi comandado, de fato, a partir da base local da CIA-EUA. Essa total destruição do próprio aparelho do estado teve, ela mesma, papel chave nos eventos desse inverno e ainda é fator central na situação em campo: para todos os propósitos práticos, não existe “estado ucraniano”.

Os euroburocratas e o Tio Sam entram na dança

Banderastão, venha com mamãe... 
Foi nesse quadro de colapso total da Ucrânia como estado e como nação, que a União Europeia decidiu entrar com sua jogada: ofereceu à Ucrânia uma associação com a União Europeia. Tio Sam amou a ideia, especialmente porque incluía um capítulo político para conduzir a política externa e de segurança da Ucrânia pela pauta da União Europeia. Essa ideia de uma Ucrânia comandada pela União Europeia também tinha grande apelo aos olhos dos EUA, que acreditavam que a Ucrânia seria chave para as sempre pressupostas ambições imperiais da Rússia. Além do mais, a Casa Branca sabia que, se a Ucrânia fosse governada pela União Europeia, e a União Europeia governada pelos EUA (como sempre foi), então a Ucrânia seria governada pelos EUA. E o ocidente pôs-se a balançar uma grande cenoura no nariz do povo ucraniano: “façam uma escolha civilizacional” e unam-se à União Europeia e fiquem ricos, saudáveis e felizes. Quanto à Rússia, nada tem a opinar: a Ucrânia é estado soberano”.

Para milhões de ucranianos empobrecidos e explorados, foi como sonho que se realiza: não apenas se tornariam milagrosamente ricos e felizes como supõe-se que os europeus sejam (só na propaganda, mas... xáprálá), como, além disso, afinal se livrariam da maldita gangue de corruptos que estavam no poder. E os oligarcas ucranianos também gostaram muito da ideia: poderiam continuar a explorar a Ucrânia e seu povo, desde que se posicionassem contra a Rússia; para eles nem foi difícil, porque os oligarcas ucranianos têm medo pânico de Putin e muito mais, sim, da ideia de um “Putin ucraniano”.

A grande explosão

Há um ditado que diz que se você está com a cabeça enterrada na areia, está com o traseiro ao vento e, de fato, a realidade voltou para morder o traseiro dos ucranianos numa estranha vingança: o país estava quebrado, arruinado, a apenas duas semanas de ter de declarar um calote, e o único lugar onde poderiam encontrar dinheiro que evitasse o colapso final era a Rússia. Mas os russos impuseram uma condição para ajudá-los: nada de associarem-se com a União Europeia, porque a Rússia não podia ter um livre mercado com a Ucrânia ao mesmo tempo em que a Ucrânia abrisse seu mercado aos bens e serviços da União Europeia (não foi nenhum “plano maquiavélico” urdido por Putin, mas simples e óbvia necessidade, compreensível por qualquer um que tenha tido nota 5 em qualquer curso de “Economia 1”). Nesse ponto, Yanukovich fez seu giro repentino de 180º, que sinceramente confundiu muitos ucranianos e pediu socorro a Moscou. E abriram-se as portas do inferno: ucranianos ultrajados tomaram as ruas, querendo saber por que lhe fora negado seu sonho de prosperidade. Os EUA também entraram em pânico – se permitissem que a Rússia salvasse a Ucrânia, a Rússia fatalmente controlaria o país: “Se você paga, você manda” – ensina a lógica norte-americana.

Stepan Bandera
Então, os EUA entraram com sua maior arma: os “Talibã ucranianos”, também conhecidos como “Setor Direita” (Pravy Sektor), Partido Liberdade (Svoboda, ex-Partido Social-Nacionalista) e suas falanges de bandidos neonazistas. O surgimento repentino de Banderistas e outros neonazistas assustaram tanto os falantes de russo que, enquanto os doidos do novo regime revolucionários estavam ocupadíssimos proibindo o idioma russo e descriminalizando a propaganda nazista, a Crimeia separou-se do restante da Ucrânia, no momento em que a Ucrânia entrou num período de completo caos e nenhuma lei.

Todos sabemos o que aconteceu a partir daí e não é preciso repetir. Podemos agora considerar os mesmos eventos do ponto de vista da política interna da Rússia e o seu provável impacto global.

A visão de Moscou

Sergei Mironov
A primeira coisa a dizer aqui é que a popularidade de Putin alcançou novos píncaros: está hoje em 71,6% e, isso, apesar de ter havido poucos progressos no frontanticorrupção, progresso zero na muito necessária reforma do sistema judicial, e com a economia russa entrando em tempos difíceis. Mesmo assim, apesar dos muitos problemas ainda não resolvidos que a Rússia enfrenta – Putin é hoje homem impossível de atacar, dado que se posicionou como o presidente que salvou a Crimeia e, é possível, até a Rússia (adiante, mais sobre isso).

O segundo efeito dramático dos eventos na Ucrânia é que polarizaram ainda mais a sociedade russa. Não estou dizendo que seja justo, mas o fato é que hoje os políticos russos têm de escolher. Têm de se posicionar:

1) ou são verdadeiros patriotas russos que apoiam Putin, a reintegração da Crimeia, a política russa de defender o país contra o ocidente,

2)  ou alinham-se com os “liberais” russos, que são russofóbicos, comprados e pagos pelos EUA, nada além de uma 5ª coluna(expressão que Putin já usou), pró-capitalistas, pró-OTAN e até pró-nazistas (lembrem que, agora, o ocidente já está declaradamente apoiando os nazistas na Ucrânia!).

Alexei Navalnyi
Desnecessário dizer, todos os políticos russos estão se atropelando uns os outros para mostrar que pertencem, firmemente, ao Grupo 1, acima. Até Sergei Mironov, presidente do Partido “Só Rússia” e último líder da oposição “real” que restava no Parlamento, já assumiu a liderança da ajuda à Crimeia (o que lhe valeu aparecer incluído na lista de sanções dos EUA e União Europeia). Os que não fizeram o mesmo são cachorro morto.

O mais confiável de todos, Alexei Navalnyi, únicolíder de oposição não associado ao regime de Ieltsin dos anos 1990s, escreveu artigo no NYT intitulado Como castigar Putin, no qual chega a oferecer uma lista de nomes que os EUA devem punir. No atual clima político na Rússia é praticamente suicídio político e a carreira política de Navalnyi está acabada. É provável que emigre para Londres ou para os EUA.

Mas o maior resultado da crise na Ucrânia foi ter posto Rússia e EUA em rota aberta de colisão. Vistos os eventos do ponto de vista da Rússia, eis o que o ocidente fez:

1)   organizou um golpe armado ilegal;
2)   derrubou um governo legítimo (embora corrupto);
3)   apoiou neonazistas;
4)   pôs suas políticas anti-Rússia acima dos valores democráticos;
5)   pôs suas políticas anti-Rússia acima do direito à autodeterminação;
6)   recusou-se a reconhecer o desejo do povo russo na Crimeia;
7)   recusou-se a reconhecer o desejo dos falantes de russo na Ucrânia;
8)   puniu a Rússia com sanções (só simbólicas, porque não pôde fazer mais);
9)   só não interveio militarmente porque se acovardou ante a força militar russa;
10) ativou pesadamente o mundo, na ONU, contra a Rússia.

Sergey Glazyev
Nesse quadro – que chance têm os Atlanticistas Integracionistas de obter qualquer apoio para suas políticas? Claramente: nenhuma.

Não só isso, mas mais que isso, as sanções usadas pelo ocidente permitiram a Putin fazer o que jamais antes conseguira: assustar os russos e espantá-los para bem longe dos bancos ocidentais (ou correm para as off-shoresou para os bancos russos); criar um sistema russo de tipoSWIFT, de pagamento interbancário; facilitar os esforços para exportar mais gás para a China e o resto da Ásia; diminuir a participação dos russos em corpos nos quais os EUA mandam, como o G8 ou a OTAN; forçar a Rússia a deslocar mais capacidades militares, e mais poderosas, para as fronteiras ocidentais (pôrIskanders em Kaliningrad, Tu-22M3s na Crimeia); reduzir o turismo russo para o exterior e direcioná-lo para dentro da própria Rússia. E afinal, mas não menos importante, reduzir ainda mais o uso do dólar norte-americano pelos russos. Tudo isso é como sonho realizado para economistas como Glazyevou políticos como Rogozin, que muito trabalharam a favor dessas medidas, há muitos anos, mas cujos conselhos Putin teve de ignorar, para não se expor ao contra-ataque dos Atlanticistas Integracionistas. Agora, há conversas ainda mais sérias que essas, na Rússia, sobre o país retirar-se de muitos tratados militares chaves (estratégicos nucleares, estratégicos convencionais, de supervisão nuclear, etc.) ou até da Organização Mundial do Comércio (pouco provável).

Sistema de lançamento de mísseis 9K720 Iskander
Agora se tornou extremamente fácil para Putin demitir qualquer um, sob o argumento de que alguém não esteja efetivamente implementando as decisões do presidente. Agora, todos sabem que todo e qualquer Atlanticista Integracionista está exposto ao risco de ser sumariamente descartado. Na verdade, é preciso dizer que BaraCk Obama ajudou Putin imensamente e que, graças à política absolutamente ensandecida dos EUA na Ucrânia, a posição dos Atlanticistas Integracionistas (em geral, pró-EUA) foi destruída e assim permanecerá por muitos e muitos anos.

Tupolev Tu-22M3 Beltyukov
Piadinha contada pela primeira vez na TV russa, pelo (é quase inacreditável, mas é verdade) porta-voz da Comissão Russa de Investigação (uma espécie de “FBI russo”, pode-se dizer), personagem não conhecido pelo senso de humor, está hoje, já, nas ruas. É a seguinte:

Barack Obama boicotou os Jogos de Sochi e não apareceu – e os russos saímos de lá cobertos de medalhas, nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos. Obrigado, camarada Obama!

Obama depois apoiou muito os extremistas da Junta em Kiev – e a Crimeia voltou correndo para nós. Obrigado, Camarada Obama!

Obama impôs sanções contra os malditos oligarcas – e o dinheiro deles voltou, do Ocidente, onde estava, para a Rússia. Obrigado, Camarada Obama!

Agora, quer dizer... Se pudermos pedir mais uma coisinha... Camarada Obama! Consiga para nós a Copa do Mundo, aquela, a do Brasil, plízzz... [pano rápido]

Piadas à parte, há muita verdade nessa piada: quanto mais os EUA tentam maximizar as apostas para esmagar a Rússia, mais forte a Rússia fica, e mais forte fica Putin, na Rússia.

Quanto aos poucos fracos ativistas pró-EUA deixados na Rússia, a situação deles é desesperadora: ao longo de anos tiveram de reagir contra acusações de terem sido parceiros nos horrores do regime de Ieltsin nos anos 1990s, e agora, a esse legado terrível, têm de somar o peso das acusações de serem “pró-Banderastão”. Sinceramente: que tratem de fazer as malas e partir para o ocidente. Na Rússia, estão acabados.

Barack Obama, o Rei do Banderastão

O que significa isso, para o resto do mundo?

Várias vezes escrevi sobre a luta oculta entre os Atlanticistas Integracionistas e os Eurasianos Soberanistas como luta “interna” ou “por trás das cortinas”, o que era verdade, no geral, até agora.

Os eventos na Ucrânia mudaram isso, e o tipo de questões às quais os Eurasianos Soberanistas até agora só aludiam em termos mais ou menos oblíquos, já são abertamente discutidas pela TV russa: como coexistir com um ocidente histericamente anti-Rússia e abertamente pró-nazistas? Como reduzir a participação russa no – e a dependência russa do – sistema financeiro internacional controlado por anglo-sionistas? Que tipo de medidas tomar para assegurar que EUA e OTAN jamais tenham opção militar viável? Como lidar com a “5a. Coluna interna” dentro da Rússia, para evitar uma “Maidan em Moscou”? Como lidar com o tipo de organizações subversivas patrocinadas pelos EUA (como NED, Carnegie, etc.) que ainda operam na Rússia? Como garantir que nenhum governo pervertidamente anti-Rússia sobreviva economicamente e socialmente em Kiev? Etc.

Pessoalmente, acho que o parecer Nuland deva ser aplicado, não à União Europeia, mas aos EUA. E isso significa uma nova Guerra Fria?

Ah, sim. Podem apostar que sim, significa!

Victoria Nuland
Mas é preciso dizer já, imediatamente, que essa nova Guerra Fria é completamente, inteiramente, 100%, invenção dos EUA e o que a Rússia fez foi, apenas, aceitar a nova realidade e operar dentro dela. Nem Putin nem ninguém na Rússia jamais quis essa nova Guerra Fria. Ela lhes foi unilateralmente imposta pelos EUA e suas colônias na União Europeia já há 20 anos ou mais.

Pensem bem: a verdadeira principal razão pela qual EUA e União Europeia não estão impondo nenhuma sanção realmente significativa à Rússia é que já fizeram isso no passado e, hoje, já não há o que impor além de sanções que ferirão o ocidente, tanto quanto e provavelmente mais, que a Rússia. O mesmo vale para a chamada “imagem internacional da Rússia”. Alguém esqueceu os ditos idiotas e canalhas sistematicamente repetidos e promovidos como mantras pela imprensa-empresa de propaganda ocidental sobre a Rússia antes da crise na Ucrânia? Listei algumas, de meu artigo anterior sobre o tema:

– Berezovsky apresentado como empresário “processado”
– Politkovskaya “assassinada pelos assassinos da KGB”
– Khodorkovsky na cadeia, por amar a “liberdade”
– A “agressão” da Rússia contra a Geórgia
– As guerras “genocidas” dos russos contra o povo checheno
– “Pussy Riot” [Agito das Bucetas] como “prisioneiras de consciência
– Litvinenko “assassinado por Putin”
– Homossexuais russos “perseguidos” e “maltratados” pelo estado
– Magnitsky e, na sequência, a “Lei Magnitsky”
– Snowden como “traidor escondido na Rússia”
– “Eleições roubadas” para a Duma e para a presidência
– A “Revolução Branca” na praça Bolotnaya
– O “novo Sakharov” (Alexei Navalnyi)
– O “apoio da Rússia” a “Assad, o “açougueiro (químico) de Damasco”
– A constante “intervenção dos russos” em assuntos da Ucrânia
– O “total controle”, pelo Kremlin, sobre a mídia russa

Diria que a lista já está longa que chegue, e que ninguém na Rússia precisa se preocupar, porque nada que o Kremlin venha a fazer doravante poderá ser pior que isso. E em vez de fazerem guerra à Rússia, fizeram guerra ao Iraque, ao Afeganistão, ao Paquistão, à Bósnia, à Croácia, ao Kosovo, à Líbia, à Síria – os EUA inflaram o mais que puderam suas políticas anti-Rússia, e fato é que não obtiveram grande coisa.

Como se diz de pequena porção de mal, insuficiente para realmente ferir você? Nietzsche diria que o que não me destrói me fortalece. A medicina moderna fala de imunização. As palavras não importam aqui, só o fenômeno: EUA e União Europeia infligiram dor considerável à Rússia, sim, mas não suficiente para quebrá-la, e por consequência direta disso, a Rússia recebeu poderosa dose de “imunização anti-anglo-sionista, que a fará mais forte do que antes.

E essa é boa notícia para todos.

Para melhor ou para pior, a Rússia é objetivamente líder incontestável da resistência mundial contra o Império Anglo-sionista. Sim, a economia chinesa é muito maior, mas o exército chinesa não é, e a China depende crucialmente da Rússia para energia, armas e alta tecnologia. Creio firmemente que, inevitavelmente, a China assumirá a liderança na luta contra o Império Anglo-sionista, mas não é para já: a China precisa de mais tempo.

O Irã é, definitivamente, o país que há mais tempo, foi o primeiro, a abertamente desafiar os anglo-sionistas (além de Cuba e da República Popular Democrática da Coreia, mas são países muito fracos), e as ambições do Irã são primariamente regionais (o que, sim, é sinal de sabedoria da liderança iraniana).

Hassan Nasrallah
Quanto ao Hezbollah, é, na minha avaliação, o lídermoral da Resistência mundial, não só por seus feitos militares realmente fenomenais, mas, principalmente, pela disposição para lutar completamente sozinhos, se necessário. Mas ser um farol moral não implica ser capaz de desafiar globalmente o Império. Rússia, China, Irã e o Hezbollah são o que eu chamaria, parafraseando Dábliu Bush, o “Eixo da Resistência ao Império”, e a Rússia tem o papel chave nessa forte, embora informal, aliança.

A outra parte do mundo onde “isso” está acontecendo é, é claro, a América Latina, mas a recente votação na Assembleia Geral da ONU mostrou que Bolívia, Venezuela, Nicarágua e Cuba são os únicos países latino-americanos que ousaram desafiar abertamente a hegemonia dos EUA (e, na Venezuela, hoje, o regime luta pela própria sobrevivência). Vê-se que, embora a América Latina tenha enorme potencial, ele está longe de realizar-se, pelo menos nesse ponto do tempo.

Conclusão

Uma Nova Guerra Fria começou a ser construída no minuto em que a Guerra Fria de antes foi oficialmente encerrada. Assim, só se pode receber como bem vinda a nova realidade introduzida pela crise na Ucrânia: agora, a Rússia aceitou abertamente o desafio dos EUA, e todas as encenações de alguma espécie de parceria estratégica EUA-Rússia são passado remoto.

Quanto à União Europeia, teve papel tão vergonhoso e desgraçado, que será tratada pela Rússia como merece ser tratada: como protetorado submisso dos EUA, sem políticas nem ideias próprias. Agora, aquela falsa “parceria” foi afinal desmascarada, e podemos esperar uma Rússia mais assertiva, se não confrontacional, no cenário internacional.

Evidentemente, não estou dizendo que Putin pôr-se-á a bater com o próprio sapato na bancada da ONU, como se diz que Krushchev teria feito, nem Putin ameaça “enterrar” o ocidente. Putin, Lavrov e Churkin são estadistas e diplomatas e manter-se-ão impecavelmente elegantes. Mas podem esperar muitos mais votos “não” na ONU e muitos mais “lamentamos, mas, não” em questões bilaterais.

O grande beneficiário dessa nova Guerra Fria será o Irã, é claro, mas também a China. Não apenas Irã e China provavelmente obterão as armas de que tanto precisam (S-300 e Su-35 respectivamente). A China também obterá excelentes bons negócios nos preços da energia russa (os chineses são suficientemente espertos para não tentar superexplorar essa nova situação; farão tudo “na medida certa”). Síria e Hezbollah terão mais dinheiro, mais armas e mais apoio político. Países que eventualmente aspirem a tornar-se membros do “Eixo da Resistência contra o Império” terão mais ajuda financeira e política (Cuba, Nicarágua, Bolívia e, especialmente, a Venezuela precisam de toda a ajuda que possam obter); e o mesmo se diga de países mais ou menos pragmáticos que não se venderam completamente aos EUA (os países BRICS, claro, mas também países menores como Argentina, Iraque, Afeganistão, Paquistão e todos os demais que se abstiveram naquela infame votação na ONU, recentemente). Ninguém tampouco deve subestimar a importância da assistência que a China pode dar a esses países ou todos os benefícios que esses países podem obter da cooperação com os demais países BRICS.

Presidentes dos BRICS (Brasil, Índia, Rússia, China e Africa do Sul (2014)
Quanto à União Europeia, terá o gás que comprar e pagar, e terá de lidar com as ondas de pós-choque econômico de seu envolvimento na crise ucraniana: terá de manter à tona a economia ucraniana, com o queixo acima d’água, pelo menos, e terá de lidar com o inevitável fluxo de refugiados econômicos; além de caber-lhe o duvidoso prazer de resolver o problema dos “Talibã ucranianos”, hoje soltos sem rédea no Banderastão lá deles. A União Europeia terá de lidar com tudo isso sob o alto patrocínio de EUA que mal consegue disfarçar o desprezo pela Europa, ou que, como no caso Nuland, já nem se dá ao trabalho de disfarçar coisa alguma.

O Tio Sam – que queima sempre tudo em que põe a mão, terá de fazer exatamente isso no seu Banderastão: convertê-lo num Kosovo maior – grande dor para seus vizinhos, e quintal que a máquina militar norte-americana poderá usar a seu bel prazer. Mas, diferente do Kosovo, a Ucrânia fatalmente se partirá em mil pedaços, de um modo ou de outro, embora a ficção de estado funcional possa ser mantida por longo tempo. Especialmente se houver consenso entre as plutocracias que governam o ocidente, de que a forma sempre conta mais que a substância, enquanto se mantiver a aparência de um estado ucraniano unitário, tudo bem.

Francamente, e sem intenção de ofender nenhum ucraniano nacionalista que me leia, o Tio Sam tem peixe muito maior na frigideira, e não se ocupará de problemas de um “Kosovo versão 2” na Europa Central.

As linhas que esbocei acima são, é claro, apenas tendências gerais. Haverá alguns “zigs” e alguns “zags” nesse processo, mas, exceto por algum grande evento imprevisível, esse é, me parece o rumo que as coisas tomarão. Sim, haverá uma eleição presidencial a ser disputada em condições grotescas, um oligarca completamente corrupto como Poroshenko comprará a própria vitória, enquanto os regime de Kiev apoiado pelos EUA e os “Talibã ucranianos” acertam as contas e matam-se entre eles. O mais provável é que a Rússia não intervenha militarmente, a menos que a situação vire loucura absolutamente total. Haverá, mais provavelmente, alguma espécie de acordo EUA-Rússia; e o leste da Ucrânia tentará achar meio de fazer mais dinheiro com a Rússia. A Crimeia viverá umboom econômico sem precedentes, que atrairá muita atenção na falida Ucrânia, que estará desesperada para obter qualquer pequena porção da catarata de financiamentos de que a Crimeia se beneficiará. Como se diz, “dinheiro conversa com dinheiro”.

Quanto a Obama, entrará para a história como o pior presidente dos EUA em todos os tempos. Exceto o seguinte, claro.