Pular para o conteúdo principal

O dilema educacional brasileiro: como melhorar a educação pública?

Foto: Divulgação / PMPA
Caros leitores, esse é o tópico primeiro de uma série de artigos que escreverei no meu blog sobre a questão educacional no Brasil, espero contribuições para que possamos avançar e construir conjuntamente um pensamento educacional que delineei alternativas.

Recentemente, foram divulgados indicadores de avaliação educacional do nosso país, os resultados demonstram a perda de qualidade dos sistemas públicos de ensino (força de expressão dizer sistema, pois no Brasil temos sistemas, isto é, união, estados e municípios). Nessa avaliação foi detectado um melhor resultado no setor privado.

Sabemos que há alguns centros de qualidade ligados a sistema federal, alguns ligados aos estados e outros ligados aos municípios, entretanto, isso não é o suficiente para dar um grande salto de qualidade que a educação brasileira precisa e contribuir para o desenvolvimento do país. Por outro lado, os estados investem pouco e tem problemas de gestão educacional, municípios idem, não construíram saídas e falta gestão adequada ao sistema. As escolas têm nas suas direções prepostos do mandatário de plantão, não agentes públicos que tenham liderança no âmbito interno da escola e respeito da comunidade onde a escola está inserida, ou seja, representantes políticos para simplesmente fazer política, não representantes políticos com a competência técnica necessária para fazer com que a política publica séria de educação funcione na ponta do processo.

Nesse sentido, a participação de pais, professores, alunos e a sociedade como um todo, necessita ser trabalhada de maneira articulada, de forma, que seja banida o tipo de gestão que comumente encontramos nos sistemas educacionais, uma expressão autoritária e de longe democrática. Uma questão preciso deixar clara, a sociedade que determina o tipo de escola que se quer, a escola não se define por conta própria, pois ela reflete a sociedade em que si vive. Todas as soluções que emergirem para sanar o problema da educação brasileira passa pela sociedade e disságua no campo da política.

Há muito tempo, pesquisa como retrato da escola, desenvolvido em parceria entre a CNTE e o LPT/UnB (Laboratório de Psicologia do Trabalho) detectou que a escola pública brasileira é a pior organização para se trabalhar, ou seja, se o profissional da educação não tem boas condições de trabalho, como este vai desenvolver um trabalho de qualidade e que responda aos desafios da nação no campo científico, tecnológico e educacional como um todo, inserindo-o assim na competição global do desenvolvimento? Vale ressaltar, que esse jogo que não se entra por querer, mas é impingido a entrar, são dilemas contemporâneos que independe da questão ideológica no campo educacional, pois deve ser encarada como uma questão de Estado e não de governo, esse é um dos erros da politica educacional brasileira ao longo de sua história.

Um dos problemas que podemos em linhas gerais citar, é quando a gestão política é menos baseada em critérios técnicos, quando o contrário também ocorre. É muito raro vermos em sistemas o equilíbrio entre essas duas formas de gestão. Um exemplo que estamos assistindo é a tentativa de tirar um técnico como o ministro da educação Fernando Hadad e substituí-lo por Marta Suplicy, ou seja, é substituir uma gestão técnica(no sentido lato, no conhecer o terreno onde pisa de forma aprofundada) por uma gestão política, não quero dizer com isso que uma gestão política não possa ser técnica. Embora, no que tange ao atual momento da gestão educacional brasileira, haja esforço para que não seja implantada uma gestão eminentemente politica com a condução de Marta Suplicy ao Ministério da Educação , mas esse fato é um exemplo como a gestão política pode e tem poder de suplantar a gestão técnica-politica em determinado momento, se tal fato se concretizar. Nesse contexto, entendemos a educação quanto uma política pública, então tem que ser político-técnica, ou seja, tem que haver base científica nas suas políticas, não só política no sentido estrito.

A questão central do que eu quero levantar aqui, é que é preciso dar um rumo revolucionário a educação brasileira, da forma como está, teremos pífios resultados educacionais, e que conduz a uma questão de classe. Os pobres estão nas escolas públicas, são os que mais sofrem com os desmandos produzidos por má gestão dos sistemas, em geral são conduzidos por gestões politiqueiras, que desviam recursos da educação, que oferecem estruturas capengas as escolas, que remuneram mal o professor e não existem planos de carreira que incentive o professor fazer sua formação continuada etc. Mesmo o Fundeb representando um avanço, mas que deve ser garantido com maior aporte de recursos do que o previsto atualmente, é uma crítica que faço a ele, mas preservando a sua importância que por si só não garante a qualidade automática, além do mais, é importante discutir no seio da sociedade o aumento do percentual do PIB em educação, defendemos inicialmente em 7%, mas, ainda que essas demandas por investimento sejam atendidas, dependemos de uma gestão da educação pública de melhor qualidade em todos os sistemas, e quiçá, ter efetivamente um único sistema de ensino e debelarmos determinadas dicotomias impostas numa realidade capitalista.
Por isso, defendemos uma revolução no campo educacional em todos os sentidos, afim de debelarmos essa doença que coloca a educação brasileira na UTI, precisamos modificar essa estrutura que coloca a criança na escola para simplesmemte passar tempo e que não é voltada ao processo de ensino-aprendizagem, caracterizada por gestões que não tem nenhum compromisso com a melhoria da educação no país, pois se conseguirmos modificar isso, daremos passos importante a elevação do Brasil a um patamar jamais vivenciado no momento presente no campo educacional e que se tornará em uma realidade inegável no futuro.

Esse texto sobre educação de Carlos Alberto Dória que indico abaixo é para uma leitura crítica, não concordo com a pexa de que o darwinismo sócio-educacional tenha sido criado no governo atual, algo que absolutamente não é verdadeiro, por outro lado, o darwinismo social contiunua com suas bases erguidas. O artigo trata sobre a questão dos indicadores de avaliação educacional:http://p.php.uol.com.br/tropico/html/textos/2832,1.shl

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Reflexão sobre atual situação social, política e econômica maranhense: do caos a esperança de dias melhores

A decadência da economia maranhense já se anunciava desde o início do século XIX. Já no século XX, Getúlio Vargas fez a primeira intervenção no Maranhão ao apear do poder os grupos políticos que ali se reversavam. Uma estrutura de poder formou-se ao longo o tempo e não dava mais conta dos anseios de setores da classe política e do expectativa popular por mudanças estruturais. Um novo Maranhão  foi o lema da esperança que Sarney captou para si e se eleger governador na última eleição direta naquele período, uma vez que todos os governos posteriores foram indiretos até a chegada da “redemocratização” do país. A eleição em 1965 de José Sarney contou com o apoio do governo central. Foi a retribuição pelo seu voto no colégio eleitoral em favor de Castelo Branco e sua contribuição no desfecho do golpe de 64. Estes casos são exemplos de como a política estadual não pode ser vista isoladamente do cenário nacional, uma vez que o mentor do clã que mantém o controle político e econômico do estad…

Os desafios políticos e econômicos do segundo mandato de Dilma Rousseff

Os recentes movimentos da oposição e, juntado a isso o ajuste do capitalismo internacional decorrente da crise cíclica do capital, remete a necessidade de compreender as nuances concretas dos fatos, sob pena de ser atropelado pelo turbilhão de uma direita ainda mais conservadora e inflada como representação parlamentar no congresso nacional, tendo o consórcio midiático oposicionista a seu favor. Este é o nível da batalha ora em curso. Limites e possibilidades Um cenário adverso à continuação do ciclo de desenvolvimento saiu das urnas. O governo Dilma, nesse início de mandato, se depara com os primeiros reflexos da eleição de uma composição congressual de caráter mais conservador e de visão atrasada de país. O conservador Eduardo Cunha foi alçado à presidência da câmara federal. Trata-se da materialização da ameaça sem escaramuças as pautas sociais, bem como o trampolim de ataque a posições do governo ou, ainda, à produção de crises institucionais visando paralisar o Brasil. É uma engr…

Pretérito imperfeito

“O que é então o tempo? Se ninguém me pergunta, eu sei; se quero explicar a quem pergunta, não sei.” Santo Agostinho, Confissões
Cristiano Capovilla* e Fábio Palácio**

            O raciocínio em epígrafe expõe a dificuldade da razão ao tratar de um tema caro a todos nós. Vivemos no tempo, mas como conceituá-lo? Para os teólogos, nosso tempo na terra é o fundamento da condenação ou da salvação, quando do julgamento final. Para os filósofos modernos, o tempo virou história, medida das transformações sociais e políticas. Em que pesem as diferenças, ambos concordam em um ponto: o tempo é o critério de avaliação de nossas práticas.   Surge aqui uma vez mais, e sempre, o padre Antônio Vieira. Subvertendo compreensões comuns, maceradas por sua retórica dialética, o Imperador do idioma afirma ser o tempo fugaz e irreversível, algo que “não tem restituição alguma”. O uso diligente do tempo, com a prática das boas obras, é o critério de salvação da alma. Por isso, “o desprezo do tempo pelos omisso…