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Contibuição a análise da política maranhense por um desterrado*


Xô Sarney; Castelo nunca mais; libertação do Maranhão etc, são construções, não sei se poderia classificar como pueril ou necessidade de esboçar uma resistência a um mando político que atrofia e reduz uma história gloriosa a escombros.

O Maranhão, de hiléia brasileira a feudo político de face familiar. Um patrimonialismo, a despeito de sua inautenticidade sociológica, que se coaduna em sentido estrito com "Donos do poder de Faoro". Não degusto essa tese com prazer, pois acho inautêntico trazer Weber para conversar acerca de um assunto tão sui generis que é o sarneysmo, pois desconfio de seu alcance analítico. Em síntese, o Maranhão 66 de Glauber Rocha não foi além do discurso do antivitorinismo e teve uma substituição a sua altura, um sarneysmo nefando.

Tenho uma tese para a solidariedade nacional tímida acerca das enchentes no Maranhão - o fato de Sarney ser lembrando negativamente por uma grande parte da sociedade brasileira e Roseana Sarney ter voltado ao governo através de uma determinação de um TSE político que se curvou a influência do patriarca mor -, até para os analista mais conservadores foi algo de imenso constrangimento.

Penso que talvez se Sarney tivesse se aliado a oposição conservadora não tivesse tal estranhamento em sua ação, fustigá-lo faz parte do jogo político e instrumento tencionador para uma definição de lado do PMDB ou no mínimo uma eventual e improvável neutralidade acerca da eleição presidencial de 2010 ou algum tipo de plano B.

O certo é que o Maranhão é jogado na mídia nacional como terra de miseráveis, uma terra atrasada politicamente que mantém a última "oligarquia" no perfil histórico clássico das que grassou o nordeste, embora São Paulo tenha um partido que domina sua administração por mais de 16 anos seja tão conservador quanto o sarneysmo.

O Maranhão do parque fabril pujante do final do século XIX com sua tecelagem tem seu declínio no século XX e uma decadência de sua altivez política a partir da manutenção de práticas arcaicas e de compadrio. Esta mesma unidade da federação foi uma das últimas a reconhecer a indepedência do Brasil em relação a coroa portuguesa, um marco histórico do atraso na concepção política de sua elite em naõ aceitar a res pública, em sentido lato, pois essa queria ter a manuteção dos laços econômicos e político com a metrópole.

A pedagogia de face patrimonial é anterior ao sarneysmo, pois tem sua faceta cultural oriunda da classe dominante, ao passo que o povo foi absorvendo com algo natural e domesticado aceitar enquanto tal. Vale ressaltar que não é regra geral, pois um movimento de resistência também há, entretanto, é difícil para um povo com tantas carências materiais resistir. Se formos contabilizar a quantidade de maranheses que sairam de sua terra para buscar dias melhores nesse vasto rincão brasileiro, vamos também observar a fuga de cérebros que poderiam estar contribuindo para o desenvolvimento do Maranhão em amplos setores.

O sarrneysmo utiliza-se de princípios da doutrina de Maquiavel, quem é temido é respeitado; pão e circo, aproveitando-se da rica essência festeira do caleidoscópio das manifestações da cultura ou do patrimônio imaterial do povo maranhense. Utiliza-se do seu poderio mediático para forjar uma suposta legitimação e produzir um controle sobre aquilo que é veiculado nacionalmente ao esconder o atraso travestido de "moderno" que tanto a "governadora" tenta ressaltar para a imprensa nacional.

Um governo títere se instala, "a canalha não é digna de ser ser esclarecida" já dizia Voltaire, parece-me ser o lema que permeou toda a decadência que foi submetido o Maranhão por esse grupo.

O Estado é último em quase todos os indicadores sociais e de produção de conhecimento; produtor e entreposto de comodities que oscilam com a crise econômica global, o que vai impactar na arrecadação fiscal. Os prefeitos que se cuidem, a grana tem que voltar aos cofres centralizados sobre a égide dos irmãos Murad e Sarney como "forma de combater crise" (sic) e retomar o controle político.

Jackson vacilou como um ator importante na construção da alternativa política, ele se aliou a aqueles que sempre tiveram lá bebendo no poder. Forjou uma aliança oposicionista conservadora composta por ex-aliados do Sarney e que poderão se aliar novamente se forem sanadas as contradições que os separam.

Em suma, é necessário uma alternativa não maniqueísta, um pensamento de esquerda avançado e fora dos marcos já falido do discurso antisarneysista para algo que possa atingir o âmago da unidade desse grupo. Observem que a instabilidade emocional e sanha de poder manifestamente produtora de conflito intragrupo e intergrupo, não é uma virtude.
É necessário utilizarmos de instrumentos analíticos novos para compreender a política maranhense. Um desses exemplos ilustrativo é trabalhado por Cristiano Capovilla em seu blog. Ele aponta para a utilização analítica do princípio terceiro excluído, uma analogia a um elemento matemático que utiliza fundamentos da dialética para encontrar respostas factíveis para a construção de uma práxis. Tal analogia tem como virtude a busca de novas estratégias que contribuam para a construção de um projeto político desenvolvimentista para o Estado e produza, no embate, instrumentos catalisadores que propiciem a derrota eleitoral dos sarneys em 2010 sem colocar em perigo o projeto nacional de eleger o campo inaugurado pelo governo Lula.
* Refiro-me a desterrado como aquele que está fora de sua terra natal no sentido espacial, não no sentido da sua memória e sua relação sentimental com seu local de origem.


Comentários

Caro Robson.

Vcs podem falar de cátedra sobre o que é sair de sua terra a procura de melhores condições de trabalho. A miséria material do nosso povo é o combustível para a miséria política em que vive o estado.
Não há mais saída. Precisamos romper com as oligarquias. Não sei quando isso se dará, se em 2010, 12, 14... Só acho que tem que estar associado às mudanças nacionais. Só assim poderemos ter esperanças de viver melhor em nossa própria terra.
Parabéns pelo texto.

Saudações.
Camarada Robson,

Achei o velho amigo!. Por isso passo a manter contato com mais frequencia. Belo blg, bem reheado para uma boa discussao.


Haroldao

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