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Uma entrevista com um sabotador econômico - Parte I

Temos visto a ação nefasta dos grandes orgãos de mídia, tanto escrita, televisiva e veiculada na rede, ao posicionar-se contrariamente ao direcionamento político que a América Latina tem tomado nos últimos tempos, o que faz tremer o sistema global de dominação. O império (que nesse momento passa por uma crise) e as grandes corporações estão em franca ação para parar esse movimento.
Evidencia-se a natureza do imperio estadunidense e a relação incestuosa com as grandes corporações. Esta são duas faces da mesma moeda, como afirma John Perkins, um ex-sabotador econômico em uma entrevista concedida a jornalista Natália Viana.
A entrevista será dividida em duas partes, a primeira introduz a entrevista e a segunda parte é a entrevista especificamente.
A divulgação que faço dessa reportagem neste blog busca mostrar aos nossos leitores como a coisa acontece nos bastidores do poder global. O momento atual precisa muito dessa munição cognocitiva para consolidar uma estratégia de resistência contra as forças conservadoras atuantes no nosso país e no mundo.

Essa é uma reportagem publicada em março de 2006 na revista CarosAmigos, é muito interessante e preocupante. Acredito que seja de interesse de todos.
Não é ficção. Mas daria um filme: em 1968, o americano John Perkins saiu da faculdade de economia com os mesmos sonhos de qualquer americano típico– casar, ter família, vencer na vida. Uma única coisa o diferenciava, a vontade de conhecer o mundo e, talvez mais importante, a oportunidade de recrutamento oferecida por um amigo de seu sogro, o “Tio Frank”, figurão da Agência Nacional de Segurança dos EUA. Para isso, o jovem Perkins submeteu- se a uma bateria de entrevistas extenuantes que incluíam testes psicológicos e detectores de mentira, antes de ser aconselhado pelo próprio Tio Frank a ser voluntário no Corpo de Paz do Exército americanono Equador. No Equador, ele foi procurado pelo vice-presidente da Chas. T.Main, uma empresa de consultoria internacional, que lhe ofereceu uma vaga– dando a entender que a mando da Agência Nacional de Segurança. Assim,Perkins começou a trabalhar para a Main, que fazia avaliações do potencialde crescimento de países subdesenvolvidos caso organismos como o Banco Mundial concedessem empréstimos vultosos para esses países investirem em obras de infra-estrutura, a ser realizadas por empresas americanas. Na verdade, o que Perkins fazia era escrever relatórios exageradamente otimistas para balizar empréstimos, prevendo que com isso os países iam florescer maravilhosamente. Como lhe explicou sua “professora” Claudine,consultora especial da Main, Perkins se tornava um “sabotador econômico”:“Somos muito bem pagos para enganar países ao redor do mundo e subtrair-lhes bilhões de dólares. Uma grande parte do trabalho é encorajaros líderes mundiais a fazer parte de uma extensa rede de conexões operacionais que promovem os interesses comerciais americanos. No final das contas, tais líderes acabam enredados nessa teia de dívidas que assegura a lealdade deles”. Como sabotador econômico durante toda a décadade 70, Perkins conheceu líderes mundiais, freqüentou rodas de ricos empresários, ajudou a selar empréstimos e fechar acordos comerciais na Indonésia, no Panamá, na Arábia Saudita, no Irã e na Colômbia. Foi bem-sucedido em quase todos os países, embora começasse a descobrir tambémas conseqüências do seu trabalho – a consolidação de um império mundial que empobrece a maioria ao mesmo tempo em que concentra riqueza nas mãosde poucos. Pesou na consciência. Desistiu, andou por outros negócios, atéque resolveu escrever um livro, Consciousness of an Economic Hit Man(Consciência de um Sabotador Econômico), no qual contaria, principalmente,que o endividamento de países em desenvolvimento era deliberadamente arquitetado pela Casa Branca para obter o controle desses países. Era 1987, mas o livro não sairia até 2003. Foi interrompido por uma irrecusável “oferta”. Perkins foi convidado para se tornar conselheiro daStone & Webster Engeneering Company, então uma das maiores empresas deconstrução do mundo. Seu trabalho: não fazer nada, a não ser deixar delado qualquer plano de publicar o livro. Passaram-se ainda quinze anos atéruírem as torres gêmeas do World Trade Center, em 11 de setembro de 2001,fato que levou Perkins a rever o seu passado e chegar a um forte sentimento de culpa por ter contribuído para a construção do império que tantos danos causara ao mundo a ponto de provocar reações tão violentas.Retomou então o livro, agora com outro título: Confessions of an Economic Hit Man (Confissões de um Sabotador Econômico), lançado no Brasil pela editora Cultrix com o título Confissões de um Assassino Econômico (outra tradução possível). Nesta conversa com Caros Amigos, Perkins relembra asua história e alerta: há hoje muito mais sabotadores (ou assassinos)econômicos do que na sua época.
Por Natália Viana.

Comentários

Anônimo disse…
É por essas e outras, que a integração do continente apartir do Mercosul é combatida tenazmente.
É por isso que uma das premissas fundamentais do bom jornalismo é desconfiar de tudo e todos.
Tenho mais dois novos comentários no meu blog. Entra lá e comenta, pois sua opinião é bem-vinda. Gostei muito das últimas contribuição que vc deu para o meu blog.

Até.

Abs!!
Anônimo disse…
Your blog keeps getting better and better! Your older articles are not as good as newer ones you have a lot more creativity and originality now keep it up!

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